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O sétimo andar

Contos de Infidelidade · aprox. 6 min de leitura · Maiores de 18

A porta fecha-se com um clique, e o corredor me engole como uma promessa sombria. Ovos amarelos dos abajures de parede repousam no tapete, e eu me encosto no papel de parede frio, respirando superficialmente, enquanto meu corpo já sabe o que vai acontecer a seguir. Na minha bolsa, o celular vibra — meu marido, querendo saber como foi a conferência. Eu ignoro. Meu dedo desliza sobre o couro liso, sentindo a leve elevação do alarme vibratório, mas eu o empurro para longe, afastando toda lembrança de casa. A noite foi longa, cheia de frases vazias e cortesia afetada, mas agora só sinto a pulsação entre minhas pernas. E então havia Lars, sentado à minha frente, cujo olhar ficava preso no meu decote, como se procurasse algo que rompesse o tédio.

— Tudo bem? — A voz dele tem um tom áspero que se enterra na minha nuca, direto na minha espinha, e sinto meus mamilos se eriçarem sob a blusa fina. Duas portas adiante, ele está ali, o paletó no ombro, a chave na mão. A noite toda ele ficou de frente para mim, no jantar de negócios. Cada vez que ele levantava o copo, eu via seus pulsos: ossos finos, um relógio prateado que brilhava à luz de velas, e eu imaginava como aquelas mãos tocariam meu corpo. Agora, na penumbra do corredor, ele parece maior, os ombros mais largos. A camisa dele está desabotoada em cima, e vejo uma tira de pele que me lembra a luz suave do restaurante, mas agora é real, perto, palpável.

— Só preciso de um copo d’água — digo. — Ou algo mais forte. — Minha voz soa estranha aos meus ouvidos — mais grave, mais rouca.

Ele ri baixinho, um som escuro que ecoa no meu ventre. — Minibar?

— Não tenho. — Uma frase idiota, mas funciona. Minha boca está seca, e passo a língua pelos lábios, um reflexo agora consciente, lento, desafiador. Vejo o olhar dele seguir minha língua. Ele hesita, vira-se meio corpo. Seu olhar desce por mim, para em meus tornozelos nus, sobe pelas minhas panturrilhas, tensas por ficar em pé nos saltos. Estou usando esses sapatos idiotas que apertam, mas eu queria estar bonita. Para quem? Agora sei. Para ele. Para este momento. Os sapatos são pretos, com uma fina fivela dourada que chama atenção para minhas pernas, e sinto o calor que emana do olhar dele, um formigamento que dança sob minha pele e vai direto para entre minhas coxas.

— Vem — diz ele. — Tenho uísque. Garrafinha, mas é nossa.

No quarto dele, cheira a sabonete e ao calor do corpo dele. O aroma é limpo, masculino, com um toque cítrico, e eu respiro fundo, deixo entrar nos meus pulmões. Ele não acende uma lâmpada grande, só a luz sobre o minibar. A cortina está entreaberta, e as luzes da cidade desenham padrões no teto, dançam como sombras que nos observam. Sento-me na borda da cama, enquanto ele enche dois copos. O lençol sob mim é fresco, liso, e passo os dedos sobre ele, sentindo a trama fina, enquanto meu corpo já se prepara para deitar nu ali. O nome dele é Lars, lembro do crachá. Lars, vendas, trinta anos, casado? Não sei, sem aliança. Mas isso não importa. Neste momento, só existimos nós e o uísque, que brilha âmbar no copo, e o desejo que estala entre nós como eletricidade estática.

— Saúde. — O olhar dele fica na minha boca enquanto bebo. O uísque queima, mas é uma queimação boa, que se espalha na minha garganta e acende um calor no meu peito que irradia direto para o meu ventre. Fecho os olhos por um momento, deixo o sabor derreter na língua: fumaça, carvalho, um toque de baunilha. Quando os abro de novo, ele ainda está me olhando, os olhos escuros na luz fraca, pupilas dilatadas. Coloco o copo na mesinha ao lado da cama, e o tilintar do vidro na superfície de madeira soa como um sinal que ninguém mais ouve.

— O que você faz amanhã? — pergunto, só para dizer algo. Minha voz está rouca, quase um sussurro. Limpo a garganta, mas não adianta. O uísque engrossou minha voz, ou talvez seja a expectativa.

— Café da manhã às oito, depois volto para casa. E você?

— A mesma coisa. Só sem café da manhã. — Sorrio fraco, um sorriso torto que ele retribui. Coloco o copo de lado e percebo meus dedos tremendo. Não de frio, mas de uma mistura de nervosismo e desejo que ondula pelo meu corpo como uma onda. Ele senta ao meu lado, não muito perto, mas perto o suficiente para sentir o calor da coxa dele através do tecido. O tecido da calça dele é macio, provavelmente lã cara, e imagino como a fibra se sentiria sob minha mão, como a pele dele se sentiria por baixo, quente e firme.

— Você está tremendo — diz ele. A voz é baixa, mas penetra o zumbido do ar-condicionado, o murmúrio do meu próprio sangue.

— Não estou com frio. — Olho diretamente para ele, desafio com o olhar. Minha respiração é superficial, e sinto meu peito subir e descer sob a blusa, as pontas dos meus seios duras contra o tecido. Ele acompanha o movimento, e o pomo de Adão dele sobe quando ele engole. Vejo sua mandíbula se tensionar.

A mão dele pousa no meu joelho. Um toque leve, como se quisesse testar se vou me afastar. Não me afasto. Em vez disso, viro-me para ele, coloco minha mão sobre a dele, empurro-a para cima, sobre a saia. O tecido da minha saia é fino, e sinto o calor da palma da mão dele através do pano, sinto minha pele começar a queimar por baixo. A respiração dele fica mais superficial, e vejo seu peito se erguer, ouço um leve chiado na garganta dele.

— Tudo bem? — pergunta ele, e eu aceno, embora meu coração esteja batendo tão alto que mal ouço. Meu pulso pulsa nas minhas têmporas, entre minhas pernas, onde já sinto como estou molhada. Uma onda de excitação me inunda, faz minha boceta pulsar, minhas coxas se abrirem involuntariamente.

Os dedos dele deslizam sob o tecido, acariciam a pele sensível na parte interna da minha coxa. Fecho os olhos, aspiro o cheiro dele — almíscar, uísque, algo salgado que cheira a suor e masculinidade. As pontas dos dedos dele desenham círculos, lentos, exploratórios, e eu abro um pouco as pernas, convidando-o. Ele se inclina para frente, me beija. Não suavemente. Exigente. A língua dele se enfia entre meus lábios, e eu saboreio o álcool, a ganância dele, e retribuo o beijo com uma selvageria que me surpreende. Minhas mãos encontram o pescoço dele.

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