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A terceira cadeira

Contos de Corno · aprox. 6 min de leitura · Maiores de 18

Uma mulher conta sobre o verão em que seu marido pediu que ela mentisse para ele – e sobre o que esse jogo ensinou ao relacionamento deles. Maiores de 18 anos. Explícito, direto, obsceno.

Foi em julho, numa quinta-feira à noite, quando Stefan me disse o que eu suspeitava há meses. O ar no nosso apartamento antigo na Mexikoplatz estava pesado e quente, e eu estava no fogão, mexendo uma sopa que já não queria mais. Ele entrou, tirou o casaco, e eu vi aquele olhar – metade envergonhado, metade decidido – que eu conhecia dos nossos jogos.

“Se você sair hoje à noite”, ele disse baixinho, “quero que não me conte nada.”

Eu me virei. “O que você quer dizer?”

“Você vai hoje com a Cordelia ao bar. Volta meia-noite e meia ou uma hora. E quero que aja como se nada tivesse acontecido.”

Meu coração bateu mais rápido. “Mas não vai acontecer nada.”

“Exato. Mas aja como se algo tivesse acontecido.”

Desliguei o fogão, me apoiei na bancada. Ele me olhou, e eu sabia que era mais um dos jogos dele. Há dez anos eu conhecia aquilo: ele chamava de jogos, mas eram sempre desejos que ele não conseguia admitir sem um desvio.

“Stefan, você está me pedindo para mentir para você.”

“Estou pedindo para jogar um jogo comigo.”

Suspirei. “O que eu devo inventar?”

“Nada concreto. Quero que você volte para casa e aja como se tivesse vivido algo que não me conta.”

“Você quer que eu seja secreta.”

“Quero que você finja.”

“Por quê?”

Ele bebeu um copo d’água. Me olhou. “Ainda não entendo direito. Acho que quero ver como é transar com alguém que talvez tenha acabado de sair da cama de outro.”

Um arrepio percorreu minhas costas. “Isso é loucura.”

“Eu sei.”

“Não é real.”

“Não.”

“Mas você quer que pareça real.”

“Sim.”

Pensei por muito tempo. Mas eu o conhecia – ele nunca pedia algo que pudesse me machucar. Só me desafiar. E em algum lugar, bem fundo, senti uma excitação estranha que me surpreendeu. “Ok”, eu disse.

“Ok?”

“Saio às sete e meia. Volto meia-noite e meia. Vou jogar o seu jogo.”

Ele acenou, foi para a sala. Fui tomar banho. Quando estava debaixo da água quente, deslizei minha mão entre minhas pernas. Já estava molhada – só pela ideia, pelo que ele queria. Massageei meu clitóris devagar, imaginando como seria voltar para casa mais tarde, com aquele segredo na minha pele. Não gozei, me segurei. Aquela seria a recompensa para depois.

Vesti um vestido leve de verão, nada por baixo. Os peitos livres, a boceta livre – só tecido fino entre mim e o mundo. Fui ao bar com a Cordelia. Bebemos duas daquelas limonadas alcoólicas, e ela me contou sobre o novo colega dela. Mas meus pensamentos estavam em outro lugar. Um homem passou, me ofereceu um cigarro. Recusei. Ele seguiu em frente. Foi só isso. Nem um toque.

Mas no caminho de casa, deixei a fantasia crescer. Imaginei que o homem tinha me empurrado num canto, a mão dele debaixo do meu vestido. Imaginei como ele teria sentido minha boceta molhada – porque ela estava molhada, só de andar e pensar. Imaginei ele tirando o pau, me pressionando contra a parede e me fodendo. Forte. Fundo. Sem camisinha. Imaginei o esperma dele escorrendo dentro de mim, quente e pegajoso.

Estava sem fôlego quando cheguei na porta. Tinha a chave na mão, e hesitei por meio minuto. Então abri bem baixinho.

Stefan estava na sala, lendo. Ele olhou pra cima. “Foi bom?”

“Mais ou menos”, eu disse. Minha voz saiu rouca, diferente. Fui ao banheiro, arrumei o cabelo. Cheirava ao bar – limonada, um pouco de tabaco do homem. Cheirava a mim, àquela excitação molhada que eu tinha imaginado. Entrei na sala, sentei no sofá, não muito perto dele.

Ele largou o livro. “Você está com um cheiro diferente.”

“É.”

“De quê?”

“Sei lá.” Dei de ombros, olhei para ele com os olhos semicerrados. “Do bar.”

“Só do bar?” A voz dele estava baixa, investigativa.

Fiquei em silêncio. Um silêncio longo, onde o ar ficou pesado. Então ele se levantou, veio até mim, ajoelhou na minha frente. Ele me olhou, e eu sabia que o jogo tinha começado.

“Não me conte nada”, ele sussurrou. “Apenas aja como se você não estivesse aqui. Como se ainda estivesse em outro lugar.”

Deixei minhas mãos caírem no colo, olhando para o lado. Ajo como se estivesse em outro lugar. Como se estivesse num canto escuro, com um estranho que tinha o pau dentro de mim. Deixei minha boceta se lembrar de um toque que nunca aconteceu, mas que eu tinha imaginado tão vividamente que quase sentia.

Stefan afastou minhas pernas. Suavemente, mas com firmeza. Eu deixei. As mãos dele deslizaram por baixo do meu vestido, e quando sentiu minha pele nua, ele parou por um instante. “Sem calcinha”, ele murmurou.

“Não”, eu disse. “Tirei antes de sair. Eu sabia…”

“Sabia o quê?”

“Que talvez eu não vestisse de novo o que tiro.”

Os olhos dele escureceram. Ele ergueu a barra do meu vestido, devagar, puxou sobre meus quadris, minha cintura, por cima da minha cabeça. Eu estava nua na frente dele, no sofá, e ele ainda completamente vestido. Os dedos dele percorreram meus peitos, meus mamilos duros, e eu deixei a cabeça cair para trás.

“Ele era bom?”, ele perguntou baixinho. “O estranho?”

“Sim”, sussurrei. Entrei no jogo. “Ele era diferente de você. Maior. Mais duro. Ele não perguntou o que eu queria. Ele simplesmente pegou.”

Stefan prendeu a respiração. Os dedos dele desceram, sobre minha barriga, através dos meus pelos pubianos. Eu já estava molhada, escorrendo, pela imaginação, pelo jogo dele. Ele passou os dedos pelos meus lábios, e eu gemi baixinho.

“Você está tão molhada”, ele disse. “Foi por causa dele?”

“Sim. Ele me pegou primeiro com os dedos. Primeiro um, depois dois. Ele me deixou tão com tesão que eu implorei.”

Stefan enfiou um dedo em mim. Eu estava tão molhada que ele deslizou até o fundo de uma vez. Eu me contraí, e ele enfiou um segundo dedo. Moveu-os devagar dentro de mim, e eu fechei os olhos, imaginando que era o estranho. Imaginei que era aquele pau grande e duro dentro de mim, não os dedos do Stefan.

“Continua”, ele sussurrou, enquanto os dedos se moviam dentro de mim, devagar, fundo. “Me conta como ele te pegou.”

“Ele me pressionou contra a parede

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