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O último trem para o Norte

Contos de Caso · aprox. 7 min de leitura · Maiores de 18

O cheiro acre de café queimado e suor frio pairava no vagão quando Marlene se deixou cair no assento ao lado dele. O estofado gasto gemeu sob seu peso, e a vibração dos trilhos subiu pelo banco até suas coxas, um formigamento elétrico que se acumulou entre suas pernas. Um solavanco, quando o trem partiu, a pressionou contra o encosto, e seus seios tremeram sob a blusa fina. Ao lado dela estava Felix, o melhor amigo de seu marido – o padrinho que, três anos antes, sorrindo, havia entregado as alianças enquanto ela tremia por dentro. Hoje ela finalmente descobriria o que havia naquele tremor.

— Pensei que você fosse voar — disse ela, sem olhar para ele. Seu olhar grudou na janela, nos muros cinzentos de concreto da estação, que lentamente começaram a se mover. Mas ela o sentia, cada fibra do corpo dele, a tensão em suas coxas, que se desenhavam sob o jeans.

— Remarquei de última hora. O trem é mais relaxante — a voz dele soou mais grave do que em sua memória, mais áspera, como se ele não tivesse dormido nas últimas noites. — Você também?

— Odeio voar. — Não era toda a verdade, mas era o suficiente. A verdade era que ela queria adiar a partida, cada minuto que ainda pudesse ficar naquela cidade, longe da casa que deixaria em duas semanas. Longe de Henrik, que já dormia como um estranho na cama dela, a respiração dele um ruído monótono sem calor. Hoje ela pegaria o que tanto sentia falta: sexo de verdade, duro, proibido.

Felix ficou em silêncio. Ela sentiu o olhar dele em sua têmpora, na linha de sua mandíbula, descendo pelo pescoço até os seios. Um conhecimento antigo, que ela não conseguia nomear, percorreu sua nuca, um formigamento que endureceu seus mamilos. Eles quase não se viam desde o casamento, apenas de relance em festas de família, onde se evitavam como ímãs de mesmo polo. Mas hoje, naquele compartimento que cheirava a poeira e chuva, a distância havia sido suspensa. Cada movimento dele enviava uma onda que a atingia sob a pele, diretamente em sua boceta molhada e quente.

O Toque

O trem ganhou velocidade, o barulho das rodas se transformou em um zumbido constante que vibrava em seus ossos. Marlene reclinou a cabeça e fechou os olhos. Ela ouviu Felix se mover, o rangido do couro, depois um clique suave – ele havia afrouxado o cinto. Ela abriu os olhos e viu como ele abriu mais as pernas, as mãos sobre as coxas. Os dedos dele tamborilavam um ritmo inquieto no tecido escuro, um staccato que embaçou seus pensamentos. Ela conseguia ver o contorno do pau dele sob o tecido, uma protuberância grossa que a deixou sem fôlego.

— Quanto tempo você vai viajar? — A pergunta pairou entre eles, inofensiva e, no entanto, carregada como um fio elétrico.

— Até o terminal. E você?

— Até o terminal.

O sorriso que ele lhe deu era torto e triste. Ela sabia que Henrik não sabia que os dois estavam no mesmo trem. E sabia que Felix sabia que ela não havia contado a ele. Um jogo que ambos jogavam, com cartas na mesa, mas sem palavras. O trem disparava pelos subúrbios, passando por luzes brilhantes e sombras que deslizavam sobre seus rostos. A boceta de Marlene foi ficando molhada aos poucos, um suco quente que penetrou sua calcinha e a fez tremer. Ela apertou as coxas para sentir o atrito, a doce agonia da espera.

O anúncio indicou a próxima parada. Uma mulher com duas crianças entrou e sentou-se na fileira de trás. O trem não estava vazio, mas o compartimento parecia uma bolha onde só existiam ela e Felix. O ar ficou mais rarefeito, mais pesado de coisas não ditas, do cheiro do corpo dele, que entorpecia seus sentidos.

— Lembra da noite antes do casamento? — A voz dele era baixa, quase um sussurro destinado apenas a ela.

O estômago de Marlene se contraiu, uma onda de prazer a atravessou. Claro que ela se lembrava. Ela estava na cozinha, o vestido ainda no cabide, seda que brilhava na luz, e ele entrou para pegar um copo d’água. Ela se virou, e de repente a boca dele estava na dela, quente e exigente, antes que ele recuasse, as mãos levantadas como se tivesse se queimado. “Desculpa”, ele disse. “Isso foi – me desculpa.” E ela não disse nada, apenas acenou com a cabeça, e no dia seguinte disse “sim” a Henrik, com o gosto de Felix nos lábios, com a lembrança da língua dele, que a deixou tão excitada que na noite de núpcias ela teve que enfiar os dedos na boceta para gozar.

— Sim — disse ela agora. — Lembro. Depois disso, enfiei os dedos na minha boceta enquanto Henrik dormia ao meu lado. Eu gozei, Felix. Por sua causa. — A voz dela era um sussurro rouco que o eletrizou.

Felix se inclinou para a frente, os cotovelos apoiados nos joelhos. O rosto dele estava perto, mais perto do que era normal entre amigos. Ela sentiu o cheiro do pós-barba dele, amadeirado e quente, e por baixo o cheiro salgado da pele dele, misturado com o cheiro metálico do trem. Seu pulso acelerou, seu coração batia forte no peito, e seus mamilos ficaram tão duros que furaram a blusa.

— Nunca parei de pensar nisso. Em como você tinha gosto, na sua língua, no jeito que você gemeu quando eu te pressionei contra a bancada. — A mão dele foi para a coxa dela, os dedos se cravaram na carne macia enquanto ele empurrava a saia dela para cima. — Eu quero você agora, Marlene. Quero sentir minha língua na sua boceta quente até você gritar.

O coração batia na garganta dela, um pássaro selvagem na gaiola. Ela queria dizer algo, uma defesa, uma frase feita, mas a garganta estava travada. Em vez disso, deixou a mão escorregar do encosto, lentamente, centímetro por centímetro, até que o dedo mínimo tocou o dele. Uma faísca a atravessou, direto para a calcinha encharcada. Ele não recuou. Pelo contrário – virou a mão, entrelaçando os dedos, e guiou a mão dela para o colo dele.

A mão dele era grande e quente, a pele áspera nas pontas dos dedos. Ele acariciou as costas da mão dela com o polegar, um movimento suave e hipnótico, enquanto colocava os dedos dela em volta do pau dele. Através do tecido do jeans, ela sentiu: grosso, duro, pulsante. Um choque de prazer a percorreu. Marlene fechou os olhos e se deixou levar, pelo ritmo do trem e pela pressão dos dedos dele, que traçavam um rastro de fogo na pele dela. Ela massageou o eixo dele através da calça, sentindo como ele ficava ainda mais duro sob o toque dela, como ele g

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