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O que ela sabia

Contos de Voyeurismo · aprox. 6 min de leitura · Maiores de 18

Uma mulher, um homem, uma janela. Com conhecimento e consentimento. Explícito para maiores de 18 anos.

Tobias e eu morávamos em frente um do outro há dois anos, sem nunca termos conversado. Tínhamos nos visto muitas vezes — na rua, na padaria, uma vez no elevador do prédio dele, quando entreguei correspondência para minha mãe, que morava duas casas adiante. Tínhamos acenado com a cabeça. Nada mais. Mas esse aceno sempre vinha acompanhado de um olhar que buscava algo — algo que eu mesma não conseguia nomear.

Meu apartamento no terceiro andar tinha uma janela grande para a rua. O dele, no segundo andar em frente, tinha uma ainda maior. Entre nós, uma rua vienense, de seis metros de largura. Podíamos ver um ao outro em nossos apartamentos quando as cortinas estavam abertas, o que era frequente no meu caso, e constante no dele. Eu sabia que ele me via. Sabia que ele capturava meu corpo através da janela quando eu andava de lingerie pelo apartamento. E sabia que ele, exatamente como eu, curtia esses olhares sem nunca os verbalizar.

Em agosto, quando estava quente e ninguém queria fechar as cortinas porque senão ficaria ainda mais abafado, vivíamos involuntariamente expostos um ao outro. Eu o via cozinhar, via-o ao telefone, via-o nu saindo do banheiro. O corpo dele era magro e fibroso, com uma leve penugem no peito que se estendia até a barriga. Às vezes, eu o via parado na janela, a mão no bolso, e sabia que ele me observava enquanto eu estava deitada no sofá, pernas ligeiramente abertas, vestindo apenas um vestido fino. Ele me via, tinha certeza, observando coisas parecidas.

Nenhum de nós dava importância a isso. Era uma espécie de cortesia entre nós. Mas nas noites em que eu estava sozinha e o calor não me deixava dormir, pensava nas mãos dele, na boca dele, no jeito como ele se movia. Imaginava como ele me tocaria, como seus dedos deslizariam sobre minha pele, como sua boca envolveria meus mamilos. Ficava molhada só de pensar, minha boceta começava a pulsar, e eu tinha que me masturbar para conseguir dormir.

Numa quinta-feira de setembro, a campainha tocou. Eu estava sozinha no apartamento — divorciada há dois anos, naquela noite usando uma camiseta velha e calça de pijama. Abri. Era Tobias.

— Desculpe. — A voz dele era mais grave do que eu imaginara. Senti meu coração acelerar.

— Olá. — Apoiei-me no batente da porta e deixei meu olhar percorrê-lo. Ele vestia uma calça jeans que abraçava suas coxas e uma camisa clara, aberta no colarinho. A barba estava bem cuidada, o cabelo levemente desgrenhado.

— Nos conhecemos como vizinhos há dois anos sem nunca termos conversado.

— É verdade.

— Queria falar sobre algo desagradável. — Ele parecia envergonhado, o que lhe caía bem. Essa vergonha o tornava humano, palpável. Senti meu corpo reagir à presença dele — meus mamilos endureceram, um leve arrepio percorreu minhas costas.

— Pode dizer.

— Eu vejo seu apartamento. Tento não olhar. Mas vejo. E acho que você também vê o meu. E queria que a gente falasse sobre isso de uma vez, para não passarmos mais dois anos fingindo que não vemos. — Os olhos dele buscavam os meus. Ele estava nervoso, mas decidido.

Pensei. Pensei se deveria achar aquilo constrangedor. Não achei. Em vez disso, senti uma onda quente entre minhas pernas. A ideia de que ele me vira, que me vira nua, talvez em momentos em que eu me tocava, me excitava. Abri ligeiramente as pernas, inconscientemente, como se meu corpo quisesse se oferecer.

— Você tem razão. — Minha voz saiu rouca.

— O que fazemos com isso?

Abri a boca. Fechei-a de novo. Disse o que me veio à cabeça naquele momento: — Tobias.

— Sim.

— Quer beber algo?

— Sim.

Bebemos um vinho. No meu sofá. Ele falou de si — trabalhava como programador em home office, por isso eu o via tantas vezes —, eu falei de mim — tradutora, também em home office, como Tobias suspeitava. Conversamos por uma hora. Era surpreendentemente fácil. Mas enquanto falávamos, nos olhávamos fundo nos olhos repetidas vezes, e eu sentia o ar entre nós ficar denso, como se uma corda invisível se esticasse.

Vi seu olhar nos meus lábios. Vi como ele engoliu em seco quando levantei meu copo e o vinho tinto molhou meu lábio inferior. Sabia que ele me desejava. E eu o desejava com uma intensidade que me surpreendia. Minha calcinha fio-dental começou a ficar úmida. Eu podia sentir o calor emanando da minha boceta.

Então, perto das onze, ele disse: — É melhor eu ir. Já tomei muito do seu tempo.

— Tobias.

— Sim.

— Se esta noite você olhar pela janela do seu apartamento de novo — olhe.

Ele me encarou. Acenou lentamente com a cabeça. Os olhos dele escureceram, ficaram mais profundos. Vi seu pomo de adão subir e descer.

— Você também.

Ele foi embora. Guardei os copos. Minhas mãos tremiam. Eu estava molhada, minha boceta quase escorrendo. Fiquei diante da janela. A noite estava clara, a lua brilhava. Olhei para a janela dele, esperando meio minuto. Ele apareceu — tinha trocado de roupa, vestia uma camiseta preta que destacava seus braços. Ficou parado na janela dele. Olhou para mim.

Comecei a me despir. Devagar. Diante da janela. Sabia que ele via cada um dos meus movimentos, e isso me excitava ainda mais. Tirei a camiseta. Não usava nada por baixo. Meus seios caíram livres, pesados, com mamilos duros que se recortavam contra a luz da janela. Vi sua boca se abrir. Vi sua mão na calça.

Tirei a calça do pijama. Minha calcinha fio-dental por baixo — preta, um tecido fino — ficou. Fiquei nua na janela, exceto por aquilo. Virei-me devagar, para que ele pudesse ver minhas costas, minha bunda. Sabia que minha bunda era redonda e firme, e sabia que ele a desejava. Curvei-me ligeiramente para a frente, fazendo a calcinha esticar entre minhas nádegas. Quase ouvi sua respiração ofegante.

Tobias ficou na janela dele. Tinha tirado a camiseta. Era mais magro do que eu esperava. Mas seu peito era bem definido, com uma leve penugem que descia até o umbigo. Ele tinha uma mão na barriga, depois mais abaixo. Abriu a calça. Seu pau saltou para fora — grande, grosso, com uma cabeça escura que brilhava sob o luar. Minha respiração prendeu. Queria senti-lo dentro de mim, aquele pau que agora estava na mão dele.

Observamos um ao outro. Não me sentei — fiquei de pé. Coloquei minhas mãos na

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