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O Calor dos Azulejos

Contos de Viagem · aprox. 7 min de leitura · Maiores de 18

O cheiro de água salgada e açúcar queimado pairava no beco estreito quando Lena destrancou a porta do seu quarto no “Casa das Janelas”. Não era o cheiro típico do mar, mas algo mais doce, quase caramelizado, que vinha dos pastéis de nata da padaria da esquina. O calor da tarde grudava na sua pele, e ela ansiava por um banho. Mas, ao fechar a porta atrás de si, parou. Um leve tilintar de cubos de gelo vinha do quarto ao lado — uma porta conectada, que ela achava ser um armário, estava entreaberta.

Um vizinho inesperado

Lena hesitou. O guia de viagem não mencionava nenhuma porta de ligação. Ela se aproximou e espiou pela fresta. Do outro lado, um homem estava sentado na beira da cama, um copo com uma bebida âmbar na mão. Seu olhar estava fixo num painel de azulejos na parede, que mostrava uma cena de caça. Ele parecia ter a idade dela, talvez trinta e poucos anos, com cabelo escuro e levemente desgrenhado e um rosto fino, iluminado pelo sol da tarde. Lena pigarreou. Ele virou a cabeça, e seus olhos a encontraram com uma mistura de surpresa e curiosidade.

“Ah, desculpe”, disse ela em inglês, “não sabia que esta porta estava aberta. Sou Lena, moro ao lado.”

Ele colocou o copo de lado e se levantou. “Sem problema. Sou Miguel. Ou melhor, é como me chamo. O hotel me disse que a porta normalmente fica trancada. Talvez um erro da faxina.” Seu alemão era suave, com um leve sotaque. “Na verdade, sou do Porto, mas estou aqui a negócios.”

“Sou de Viena”, disse Lena, encostando-se no batente da porta. “Férias. Sozinha.” Ela não sabia por que acrescentou aquilo. Talvez porque a cidade a deixasse corajosa, como ela havia decidido no terraço durante o café da manhã: hoje, sem reservas.

Um convite

Miguel sorriu. “Sozinha em Lisboa? Também é bom. Mas se você quiser, tenho uma garrafa de vinho do Porto do Vale do Douro. Não é o do supermercado, mas de um pequeno produtor. Quer um copo?”

Lena sentiu o coração bater mais forte. Normalmente, ela recusaria, inventaria uma desculpa. Mas o cheiro doce vindo do beco, o calor que ainda estava em seus membros, e aquele homem estranho com seus olhos escuros — ela assentiu. “Com prazer.”

Ela passou pela porta. O quarto dele era quase uma cópia do seu, só que a mala dele estava em cima da cama e as cortinas estavam meio fechadas. Ele serviu um copo para ela. O vinho era vermelho escuro, quase preto, e cheirava a frutas secas. Eles se sentaram nas duas poltronas perto da janela, e a conversa começou hesitante, sobre a cidade, sobre viagens, sobre o calor. Miguel contou sobre seu trabalho como arquiteto, que estava em Lisboa para um projeto, e Lena sobre seu emprego numa livraria. As palavras fluíam mais facilmente à medida que bebiam. Depois de um tempo, ele tocou o joelho dela, um gesto leve que ela não afastou.

“Sabe”, disse ele, e seu sotaque ficou mais quente, “comprei algo no mercado esta manhã. Um creme de amêndoas e água de rosas. A vendedora disse que é bom para o calor. Mas acho que é mais para outra coisa.” Ele sorriu, e Lena riu.

“O que você quer dizer?”

“Experimente você mesma.” Ele se levantou, pegou um pequeno pote de vidro da bolsa e o abriu. Um aroma inebriante de rosas e amêndoas amargas encheu o quarto. Ele mergulhou um dedo e passou no antebraço dela. O creme era fresco e deixou um rastro de refrescância. Lena fechou os olhos. O toque dele era leve, quase delicado, mas deixou um formigamento que se espalhou por todo o corpo dela.

O primeiro beijo

Ela abriu os olhos quando o dedo dele seguiu pelos pulsos dela, depois pela dobra do braço. O olhar dele estava fixo nela, questionador. Ela assentiu quase imperceptivelmente. Ele se inclinou e a beijou. A boca dele tinha gosto de vinho do Porto e uma doçura que ela não conseguia identificar. O beijo era suave, mas a mão dele deslizou para a nuca dela, puxando-a para mais perto. Ela sentiu o calor do corpo dele através do tecido fino da blusa dela. O quarto parecia ficar menor, os sons da cidade lá fora se misturando num zumbido distante.

Lena colocou a mão no peito dele, sentiu a batida regular do coração sob a camisa. Ela desabotoou o primeiro botão, depois o segundo. Ele a ajudou a tirar a camisa, e a pele dele era pálida na penumbra, com uma fina penugem no peito. Ela enterrou o rosto na curva do pescoço dele, sentindo cheiro de sal e algo almiscarado. Ele gemeu baixinho quando ela passou os lábios pela clavícula dele.

“Você cheira a verão”, murmurou ele contra o cabelo dela, enquanto as mãos dele encontravam a barra da blusa dela e a puxavam por cima da cabeça dela. O tecido farfalhou e caiu no chão. Ele colocou as palmas das mãos nos ombros nus dela, deixou-as deslizar pelos braços, depois de volta para os seios dela, que se delineavam sob o sutiã de renda fina. O olhar dele era intenso quando abriu o fecho e deixou o sutiã cair. Os seios dela eram pesados e quentes, e quando ele os envolveu com as palmas, ela suspirou.

“Linda”, disse ele, mais para si mesmo. Ele se inclinou e pegou um dos mamilos dela na boca. A língua dele era quente e molhada, e Lena arqueou as costas, pressionando-se contra ele. Uma sensação de vazio percorreu o ventre dela, uma pulsação que pedia por mais. Ela enfiou a mão no cabelo dele, segurando-o firme enquanto ele sugava e mordiscava levemente com os dentes. Um arrepio, não nas costas, mas pelas pernas, a fez tremer.

Despir-se

Ele se afastou dela, levantou-se e puxou-a para cima. Os olhos dele estavam escuros de desejo. Ele abriu o botão da calça de linho dela, desceu o zíper. A calça caiu no chão, e ele se ajoelhou na frente dela, puxando a calcinha lentamente sobre os quadris dela. Ela saiu, ficou nua diante dele. O olhar dele percorreu o corpo dela, e ela sentiu a pele avermelhar sob o escrutínio dele.

“Vire-se”, disse ele baixinho. Ela obedeceu, e ele deixou as mãos deslizarem pelas costas dela, sobre a curva da bunda dela. Os dedos dele cravaram na carne dela, massageando as nádegas firmes. Lena se inclinou contra ele, sentindo a ereção dele através do tecido da calça. Ela se virou de novo, abriu o cinto dele, deixou a calça descer. A cueca boxer dele esticava sobre uma protuberância evidente. Ela puxou para baixo, e o pau dele saltou para fora — longo, grosso, a glande levemente avermelhada e brilhante de excitação. Um fio fino de pré-gozo pendia, e ela lambeu os lábios involuntariamente.

“Sente-se”, disse ele, apontando para a cama. Ela se sentou na borda, e ele se ajoelhou na frente dela, abriu as pernas dela.

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